[esse texto inaugura uma nova seção aqui desse perfil. sim, apesar de eu nunca ter dito nada a respeito do perfil ter seções, ele tem. tem a seção de diálogos os quais participei ou ouvi, e me arrependo; a seção de textos anti-auto-ajuda; a seção de textos de humor de nicho, o nicho sendo de pessoas que riem de qualquer coisa, e essa nova seção, que denominarei provisoriamente de “resenhas sem nenhum compromisso com o leitor e que podem, eventualmente, não dizer nada sobre o filme (mas pode conter spoilers)”. sim, eu movo montanhas para não ser lida, eu sei.]

esse texto não é sobre o filme. não é sobre meu mais profundo desencanto com um filme que constrói toda uma sociedade alternativa unicamente para servir como pano de fundo para uma história de romance malfadado. não é sobre as milhares de portas narrativas que ele abre pra você entrar e dar da cara com, surpresa! o maldito casal do romance malfadado. não é também sobre a cena final, que oferece a melhor metáfora involuntária do filme: você pode substituir um homem fantasiado de urso, por um filme só ok fantasiado de virtuose estética, por exemplo.

o texto é sobre as transições entre cenas do filme. muitas delas são o que costumamos chamar de “cross dissolve”, que quer dizer que a cena a seguir entra antes da cena que estamos vendo acabar. algo parecido com a dupla exposição na fotografia. por alguns momentos você consegue ver elementos das duas cenas, tipo o romance lá do casalzinho, que já terminou mas não terminou ainda. quer dizer, não dá pra fugir mesmo desses dois, já que eles estão até entre uma cena e outra. agora, a comunidade alternativa sueca lá, é só um urso preso numa jaula.

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